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Chegas de Bois em Montalegre

O Campeonato de Chegas de Bois da Raça Barrosã, em Montalegre, junta milhares de pessoas para assistir a "turras" que podem demorar apenas alguns minutos. Espetáculo com direito a relato na rádio e tv.

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Chegas de Bois em Montalegre Vídeo de: Maria José Afonso

CHEGAS DE BOIS
As chegas de bois de raça barrosã chamam muita gente a Montalegre. Até se diz que atraem mais público do que os jogos de futebol. Os torneios juntam dois animais que medem forças, até que um desista em prol do vencedor.

As Chegas ou Liadas de bois, são uma antiga tradição das terras de Barroso e em particular da aldeia de Gralhas, por onde passaram muitos campeões e onde nos dias de hoje, pese embora as mudanças ocorridas, são ainda levadas muito a sério. Num passado não muito distante, cada Chega era um dia de festa, ou de tremenda amargura e tristeza, para os habitantes da aldeia. O principal protagonista, era sempre o boi do povo. O boi do povo era um bem comunal e alimentava-se normalmente nas lamas (pastos), que pertencem ainda hoje a toda a comunidade.

Cerca de meio ano, antes da participar em qualquer duelo, recebia ainda, feno, centeio, batatas, nabos, beterrabas e todo um conjunto de géneros, que eram oferecidos por todos os aldeões, para complemento da sua alimentação e respectiva engorda. Pernoitava numa casa (corte), que fazia parte igualmente do património de todos. Anualmente e por uns tantos alqueires de centeio, um pastor arrematava a guarda e o tratamento do animal, de quem passaria a cuidar.

Quando o animal chegava à idade adulta (cinco ou seis anos) tornava-se no orgulho da aldeia, sendo por isso, motivo de acesas discussões entre os habitantes de povoações vizinhas, com cada um a defender a maior pujança do seu animal. Estas discussões, terminavam irremediavelmente numa luta entre os animais – as chamadas Chegas ou Liadas – que visavam distinguir o campeão.

A Chega pode ser rápida ou prolongada, dependendo essencialmente do gabarito dos contendores. Em qualquer dos casos, o entusiasmo dos assistentes é indescritível. O seu final pode acontecer quando um dos bois abandona o «combate» fugindo em debandada, o que significa o assumir da derrota, ou quando um dos animais é irreversivelmente ferido pelas investidas do seu opositor.

Para os habitantes da aldeia vencedora, os momentos que se seguem são de euforia, quase de glória. O seu boi passa a ser quase venerado. O vencido segue em silêncio, a caminho do talho. Dos tratadores e de quem os acompanha ouvem-se, por vezes, vozes roucas a desabafar, numa raiva incontida: o boi perdeu, os homens …veremos. As cenas de violência nem sempre são evitadas, mas felizmente são cada vez mais raras.

Esta tradição, já não é hoje o que era dantes. Apesar dos habitantes destas Terras do Barroso continuarem a vibrar e a manifestar grande entusiasmo com as Chegas, o boi do povo, já não existe mais, e aquilo que resta, são as Liadas, comercializadas a troco de alguns euros, levadas a efeito por alguns proprietários individualmente considerados, que fazem desta atividade, o seu ganha-pão. Dos tempos de outrora, resta a nostalgia.

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